Meus primeiros contatos com a leitura aconteceram por ocasião do casamento de
um tio materno que ainda morava com meus avós. Para que eles não dormissem
sozinhos, pois meu avô estava muito doente, e eu sendo o neto mais velho ( na
época tinha 7 anos ), passei a dormir na casa de meus avós para fazer
companhia.
Como meu tio trabalhava em Taubaté ( cidade vizinha ), ele passou a me trazer
toda semana um gibi ou livro de literatura infantil que servia como passatempo
toda noite até eu pegar no sono. Essa prática fez com que eu passasse a
colecionar gibis que depois eram trocados ou emprestados com amigos na
escola.
Quando por volta dos meus 9 anos, meu pai comprou nossa primeira televisão,
comecei a me interessar em ler livros relacionados aos filmes assistia à tarde
como “Mogli, O menino lobo”, “Moby Dick”, “ Ali Baba e os quarenta ladrões”,
etc.
A partir de então, criei o hábito de ler, mas gosto de ler livros de aventura
ou de temas relacionados à história, pois me prendem mais a atenção, não gosto
muito dos livros de ficção científica, nem romances ( inclusive de filmes
relacionados a esses temas ).
Hoje, procuro incentivar minha filha( 8 anos ) a gostar de leitura e sempre
que vou a Taubaté procuro lhe trazer um gibi ou livro infantil de presente.
Cláudio José Campos
Quando penso na minha infância, lembro das brincadeiras
com as amigas . Do lado da minha casa tinha um quintal, onde brincávamos de
escolinha. Pegava um pedaço de carvão ou tijolo e começava a escrever na cerca
de madeira as letras a, e, i, o, u .Tornava-me uma professora ou seja imitava
uma e adorava, tinha apenas sete anos.
Quando comecei a frequentar a Escola
Municipal Professor "Antônio Sampaio Dória" e aprendia as outras letras, chegava
em casa e ensinava as minhas amigas .Pois o conhecimento não deve ficar guardado
ele tem que ser dividido.
Recordo-me do professor José Pedro Neto, meu
professor da primeira série, um professor que gostava de ensinar,
organizado, sua sala era a mais limpa e organizada, todas as mesas com suas
toalhinhas plásticas, e um baldinho com papel higiênico com sabonete para
levarmos ao banheiro.
Éramos uma sala disciplinada pois gostávamos e
respeitávamos muito ele.Não saímos do lugar ou falávamos sem antes pedir
licença. Ele nos ensinava com carinho e dedicação. Sabia nosso nome e conhecia
nossa família, pois conhecia o já havia dado aula para os outros da mesma
família.
Até hoje lembro da primeira boneca que tive, pois como pobres e
cheios de filhos não tínhamos. E foi ele que me deu, pois havia presenteado a
cada aluno com um carrinho ou boneca.
Talvez indiretamente seja por isso que
hoje estou na educação. Mesmo com tudo que acontece hoje em dia sei que ainda há
bons profissionais como ele.
A leitura era um encanto, ao abrir o livro o céu não era o limite, viajava por todo universo através das palavras, e viajo ainda hoje.
Maria Cecilia Nunes
Na mais tenra idade, achava que a minha maior “deficiência” era não saber
ler. Seria uma “deficiente leitora” e pedia para meu irmão ler as coisas para
mim e não via a hora de aprender a ler para não depender de ninguém! Quando isso
de fato aconteceu, um mundo novo de delícias, viagens e possibilidades se abriu.
Ser levada pela palavra foi o maior tesouro que pude ter na vida.
Apesar de ser de família humilde com pouca instrução, adquiri, nem sei como,
o gosto pela leitura. Minhas irmãs, empregadas domésticas, traziam muitos gibis
e mangás das casas de suas patroas e essas foram as minhas primeiras incursões
pela leitura.
Muitos condenam, pedagogicamente falando, o gibi na sala de aula, mas eles
tornaram-me leitora. Também não me esqueço de um disquinho azul intitulado
“Festa no Céu”, que contava a história de uma festa no céu na qual nem todos os
animais seriam convidados. Lembro-me do pobre do sapo que caiu de lá de cima,
esborrachou-se e por isso tornara-se feio. A importância é inegavelmente, o
lúdico, a imaginação ativada, a fruição. A leitura de história permite adentrar
em um novo mundo. Com ela a criança passa a interagir, perguntar, duvidar, ter
medo, ter pena, torcer pelo bem, odiar o mal...
O contato oral é o primeiro a ser feito até que a criança aprenda a ler a
letra, mas o contato com o livro é imprescindível. Por isso agradeço aos gibis
que li, aos clássicos da pré-adolescência, às revistas Sabrina, Bianca e Júlia
da adolescência. Sim, precocemente conheci José de Alencar, Bernardo Guimarães,
Visconde de Taunay (e sua “Inocência”, ai, que lindo!). Ceci, Peri, escrava
Isaura, Inocência, Luzia Homem povoaram minha imaginação e minha vida e seu
fizeram de mim melhor escritora, melhor leitora da vida e das pessoas.
“O desenvolvimento de interesses e hábitos permanentes de leitura é um
processo constante, que principia no lar, aperfeiçoa-se sistematicamente na
escola e continua pela vida afora.” (Bamberger)
Rosemeire de Moraes